Possivelmente, os concorrentes no pleito que elegeu o Brasil como sede dos Jogos em 2016 já resolveram pequenos problemas como o da emissão de documentos aos seus cidadãos e outros mais sérios que ainda nos afligem. Por exemplo, temos 10% de analfabetismo, metade da população não concluiu o ensino fundamental, estamos na 75a posição no Índice de Desenvolvimento Humano-IDH, 40% das residências não têm acesso a serviços essenciais, ou seja, 20 milhões de domicílios em áreas urbanas não contam com pelo menos um dos serviços considerados essenciais, como água, esgoto, coleta de lixo e luz. Há convergência de idéias quando se fala que a educação é uma prioridade no Brasil; paradoxalmente, é comum encontrarmos homens públicos dando exemplos de deseducação.

Como aproveitar a evidência que a Copa e os Jogos trazem ao anfitrião para resolver ou diminuir os sérios problemas que ainda temos? Esta talvez seja a grande questão. Em um país com tantas desigualdades e contrastes gritantes, resta-nos a torcida (sem trocadilho) de realizarmos não só eventos bons tecnicamente, mas alavancarmos as outras áreas que pedem socorro e que formam um conjunto fundamental para a conquista do visto de entrada no 1o Mundo. Agora não se trata de ser contra ou a favor; somos todos brasileiros e queremos o melhor para o País. Resta-nos acompanhar e exigir competência, planejamento e transparência. Faltando 7 anos para os Jogos, é lícito ter a seguinte inquietação: qual será o modelo dos eventos que vamos organizar, o da identidade ou o do passaporte?
por Davi Rodrigues Poit

Como serão os Jogos Olímpicos do Brasil em 2016?